• Na religiosidade busca-se controlar as minúcias do ser, dando respostas “concretas”, com métodos para tudo: casamento, noivado, namoro, profissão e tudo mais quanto se possa pensar.
  • Na Graça sabe-se que é na consciência do indivíduo que todas as coisas se processam, não vindo de outrem as respostas. Assim cada um é livre para dar seu próprios passos no Caminho.
  • Na religiosidade sempre há um líder todo-poderoso disposto a ser o ditador das normas acima expostas, uma espécie de “Controladores da União Celestial”. No geral suas palavras sempre são palavras do Deus a quem dizem servir. Desta forma sua fala é sempre a última palavra em qualquer coisa posto que ele sempre será o representante dos outros diante de Deus.
  • Na Graça Ele, Jesus, é o Sumo-Pastor das almas. E o jugo dEle é suave e seu fardo é leve.
  • Na religiosidade há sempre uma tentativa de tomar o mundo já que é responsabilidade da religião prover o planeta com a limpeza que seus dogmas propõem. Assim, quem ainda não teve a felicidade de conhecer suas doutrinas, precisa fazê-lo urgentemente a fim de que possa ser feliz.
  • Na Graça sabe-se e crê-se para a vida em tudo posto que nEle foram feitas todas as coisas e todas as coisas – sem exceção – estão nEle.
  • Na religiosidade seus deuseus (ou Deus) sempre são iracundos. Sempre estão numa eterna TPM, bravos e chateados. Por isso, precisam ser agradados com dádivas de louvor e sacrifícios mortos. Esse deuses são justiça.
  • Na Graça Deus é Amor e toda Sua justiça é Cristo e esta, a justiça, foi totalmente cumprida nEle.
  • Na religiosidade sempre há tempo e espaço delimitados para ação de seu Deus. Há hora e lugar certificados para que Ele aja. Mesmo que se diga crer que Ele é Senhor do tempo e do espaço, ainda assim Ele age mais “fortemente” no ajuntamento de seus fiéis devotos visto que, quanto mais forte se faz a oração (ou reza ou invocação) mais depressa e com mais vigor Ele se representa.
  • Na Graça sabe-se que Ele é Soberano para fazer e desfazer, para dizer Sim ou Não e para simplesmente silenciar quando bem lhe aprouver, inclusive nos templos mais carismáticos que existem por aí. Sua ação estende-se no tempo e espaço não ficando limitada a religiões ou ajuntamentos quaisquer.
  • Na religiosidade há muita vontade de fazê-lo (o seu Deus) ser acreditado, portanto é precisar provar sua existência e sua eficácia. Assim dá-se respostas ao que não tem jeito, criam-se sistemas para o intangível, apresentam-se soluções para caos e, por fim, limites para o infinito. Assim cria-se um deus fruto da razão pronto a ser acreditado.
  • Mas na Graça o que há é a fé de quem não sabe.
  • Na religiosidade há sempre um código de crédito e débito: bênçãos e maldições, paraíso e inferno, bem e mal, mundo e nós, os salvos (ou seja lá o nome que se dê).
  • Na Graça apenas descansa-se no Amor sabendo que o maior ganho é ser dEle e nEle, não havendo uma guerra a ser ganha ou perdida.
  • Na religiosidade há sempre um inimigo poderoso a ser vencido, seja ele abstrato ou concreto. Há sempre uma guerra, uma batalha a ser ganha e um espírito de luta constante. E esses inimigos (ou Inimigo) sempre são fortes e presentes.
  • Na Graça a Vitória é um Bem que não precisa ser alcançado, posto que já É, uma Paz que excede todo entendimento e sabedoria.
  • Na religiosidade há sempre um medo de tudo aquilo que esteja fora de seus portões: poesia, música, shows, livros, festas “pagãs”, danças, profissões, casamentos, namoros, sexualidade e mais, muito mais.
  • Na Graça tudo é e nada é.
  • Na religiosidade há sempre alguns mais iluminados que outros, maiores e menores, quem manda e quem obedece, quem sabe e quem não sabe, quem aprendeu e quem nasceu sabendo, fortes e fracos, sábios e burros, pecadores e curados, fariseus e prostitutas.
  • Na Graça todos estão de-Graça. Assim como no corpo humano, não há validade para quaisquer separação.
  • Na religiosidade o prazer e o lazer são vistos como um mal: futebol é para os menores e sexo não é assunto.
  • Na Graça tudo tem Graça.
  • Na religiosidade os relacionamentos são pautados pela pensamento igual e formatado. Assim, quando o pensamento é diferente, quando a crença tem outros sabores e o olhar outras cores, a porca torce o rabo.
  • Na Graça a amizade transcede a crença e o pensar, pois o Amor não tem fronteiras nem porteiras.
  • Na religiosidade a devoção possui regras, formas, momentos próprios e locais devidos. Aqui é como se o Divino precisasse de um protocolo para poder comunicar-se com Seus devotos.
  • Na Graça, cada esquina é um altar, cada respirar é transformado em oração, cada leitura – ainda que “apócrifa” – faz bem a alma e cada som, mesmo que seja o silêncio do nascer do sol ou o intenso som da mata densa faz-nos enxergar e se entregar a Seu Amor. Porque aqui “também” cumpre-se a máxima de que todas as coisas foram feitas nEle e por Ele.
  • Na religiosidade há um sentimento de necessário em tudo que se faz. É como se o mundo só fosse mundo porque eles existem e acreditam no que acreditam. Sem suas presenças o mundo já teria sido consumido.
  • Na Graça, apesar da importância de cada e todo ser humano não há sintoma de messianismo algum, mas apenas a pacificação de quem sabe-se um caminhante no mundo, posto que este caminhante tem a consciência que o maior bem que possa ter sido feito foi feito nele e não para um outro alguém. Dessa forma não há um sentimento de imprescindibilidade. Nada é imprescindível depois da cruz, mas tudo possui importância e beleza própria. Como a beleza inatingível do arco-íris. Assim como esse texto.
                                                                                                                                                          (Autoria de Evanderson Barboza)